29
Set 12




Gula Literária:

"A Porta do Sol" de Elias Khoury - Prémio Unesco-Sharjah para a cultura árabe (Quetzal)

"Fun Home -  Uma tragicomédia Familiar" de Alison Bechdel - Eisner award, Lambda Book award, finalista do National Book Critics Circke Award e do Quill Award. Livro do ano do NY times, LA Weekly, Salon.com, Amazon.com, Guardian, do London Times (Contraponto)- LIDO

"Um blues mestiço" de Esi Edugyan - Finalista do Man Booker Prize de 2011 (Porto Editora)

"A lebre de olhos de Âmbar" de Edmund de Waal - Prémio de Biografia Costa Book Award 2010, Prémio Ondaatje Award 2011 (Sextante)

"O anjo esmeralda" de Don DeLillo (Sextante)

"As minhas lembranças observam-me" de Tomas Transtromer - Prémio Nobel 2011 (Sextante)- LIDO

"Os cães de Tessalónica" de Kjell Askildsen (Ahab)

"O Sino da Islândia" de Halldor Laxness - Prémio Nobel da Literatura (Cavalo de Ferro)- LIDO

"Austerlitz" de W. G. Sebald (Quetzal)

"Mazagran" de J.R. de Carvalho (Quetzal)- LIDO

"A Piada Infinita" de David Foster Wallace (Quetzal)

" A República Popular" de Robert Muchamore (Porto Editora)- LIDO

"O Rei do Monte Brasil" de Ana Cristina Silva (Oficina do Livro)



publicado por oplanetalivro às 09:44

22
Set 12


Herta Müller, prémio Nobel 2009, esteve em Portugal com o objectivo de divulgar o seu mais recente livro, «Já então a raposa era o caçador», um dos destaques da rentrée da D. Quixote.



A apresentação da obra ficou entregue à escritora Lídia Jorge, a Aires Graça, tradutor desta e de outras obras da escritora romena, e à própria autora. A moderação coube a João Barrento.
Foi numa sala cheia, no Goethe-Institut, que leitores de diversas nacionalidades tiveram oportunidade de enriquecer as suas leituras com as perspectivas e interpretações dos intervenientes.
A produção literária de Herta Müller alimenta-se do medo e do profundo desenraizamento da escritoraA autora nasceu numa aldeia romena habitada por uma minoria de falantes de alemão (Nytzdorf). Passou por interrogatórios, ameaças da Securitate e despedimento por discordância política.
O seu pai era oficial da SS quando a Roménia se aliou à Alemanha, na II Guerra Mundial. Pouco antes do fim da guerra, a Roménia mudou de posição política, pois passou para o lado da URSS. Ainda com a guerra a decorrer, Estaline ordenou a deportação de milhares de romenos alemães. Entre eles estava a mãe da autora.
«O medo era omnipresente e o indivíduo não contava para nada», afirmou a autora durante a apresentação. Nos seus livros, Müller interroga tudo de forma dura, tensa e sem piedade. A escrita incide sobre elementos que a repulsam. «A realidade incita-me a escrever pelo lado que me agride».
A linguagem é um instrumento para exorcizar e processar todas as experiências traumatizantes por que passou. «Estou danificada e preciso de suportar isto, esta bagagem», referiu durante a apresentação.
São esses danos e esses traumas que a motivam a escrever. É na sua própria experiência que baseia as histórias dos seus livros. As personagens por si criadas são sujeitas às mais diversas violências e são confrontadas com uma incompreensível arbitrariedade.


«Já então a raposa era o caçador» é uma construção literária composta por frases simples e claras que transportam angústia e dotam a prosa de uma acutilância que limita a distância confortável do leitor em relação ao texto.
Se há algo que possa ser matéria de celebração nos seus livros, é a linguagem. É através da manipulação da linguagem que a escritora tenta construir uma nova perspectiva, uma visão que possa resgatá-la da sua própria criação. Ao reestruturar a linguagem tem a possibilidade de reestruturar a perspectiva sobre a realidade. Mas inevitavelmente tudo é contaminado pelo medo.
Lídia Jorge abordou, também, a problemática da linguagem como instrumento de mediação entre nós e a realidade. Além disso, a autora portuguesa realçou a importância da escrita como registo de vida e exercício de memória.
Por sua vez, Aires Graça demonstrou, através de diversos exemplos, a dificuldade que as diferentes línguas colocam ao tradutor quando ele se propõe transferir a imagética de uma língua de partida para uma língua de chegada.
No conjunto, as intervenções abordaram o texto literário por vários ângulos, de forma a proporcionar leituras mais profundas da obra da escritora romena.
Herta Müller é uma fonte de interrogações sobre ela, sobre a sua relação com a(s) língua(s), com a Roménia (país natal), com a Alemanha e com a sua própria pertença e identidade.
«Já então a raposa era o caçador» é um exercício de confrontação do medo, de procura de identidade, de catarse.
publicado por oplanetalivro às 12:22





José Eduardo Agualusa, em “Teoria Geral do Esquecimento”, põe a realidade ao serviço da ficção para chegar à essência dos acontecimentos.
O autor sugere ao leitor que entre num texto profundamente conotativo. O edifício, outrora grandioso mas agora em declínio, onde moram diferentes etnias com diversos comportamentos sociais, é o microcosmos que funciona como um eixo de toda a narrativa.
É esse pequeno mundo que, se se tomar o todo pela parte, dá a imagem das profundas transformações sociais e políticas de Angola.
Agualusa sublinha esses acontecimentos históricos dotando-os de causalidade para com a mudança social e condicionamento individual.
É no contexto de decadência, desencanto e renovação que a personagem principal, Ludovica (portuguesa), após vários incidentes durante o início do processo de independência de Angola, decide transformar a sua habitação num casulo, onde o tempo tem um corpo diferente. O apartamento onde ela se enclausura é uma bolsa onde os incidentes exteriores às paredes e aos muros, por ela construídos, chegam abafados pela distância. A fome e a sede sentidas durante o enclausuramento são inferiores à necessidade de segurança. No entanto, a possibilidade de estar completamente isolada do exterior é, na realidade, impraticável. É através de fenómenos externos que ela vai mudar o centro onde gravita: um pombo com uma mensagem de amor, um macaco, um ladrão.
Se factores extrínsecos levam Ludovica a fechar-se no seu mundo, será a mesma exterioridade que levará a personagem a quebrar barreiras e a reinventar-se perante os outros. O segredo que a preenche desde muito nova e o seu cão nomeado de Fantasma são companhias omnipresentes. Mas não só. Os livros são essenciais no exercício de memória e relação com o medo que “Teoria Geral do Esquecimento” propõe ao leitor.
O cunhado de Ludo, proprietário do apartamento, deixara-lhe, quando desapareceu misteriosamente mais a sua esposa, uma enorme biblioteca. É através dos livros que ela se move e é através dos livros que melhor controla a interacção com o que lhe é extrínseco. Ludo necessita de controlo. Mas esse controlo, o conhecimento e a memória confrontam-se com o instinto de sobrevivência.
“Sentira, enquanto ia queimando os livros, depois de ter feito arder todos os móveis, as portas, os tacos de soalho, que perdia liberdade. Era como se estivesse ateando fogo ao planeta. Ao queimar Jorge Amado deixara de poder revisitar Ilhéus e São Salvador. Queimando Ulisses, de Joyce, perdera Dublin. Desfazendo-se de Três Tristes Tigres vira arder a velha Havana” pág. 136.
José Eduardo Agualusa estruturou o seu romance em capítulos curtos onde, de forma directa ou indirecta, as acções secundárias confluem na acção preconizada pela personagem principal. A prosa não utiliza, de forma gratuita e como um fim, as diferenças sintácticas, semânticas e lexicais inerentes à riqueza intrínseca da Língua Portuguesa. Através desta estrutura, o autor propõe ao leitor que entre num universo onde o medo é catalisador do pensamento, do gesto e da palavra. É na alteridade, na pluralidade e no perdão - e não no esquecimento- que o indivíduo destrói ou limita as barreiras que não permitem a busca de sentido e a partilha de sentimentos.

Mário Rufino
mariorufino.textos@gmail.com
publicado por oplanetalivro às 11:42

14
Set 12

Saiu.

Está à venda o meu ebook "O Fim da Inocência e outros contos"
Texto da minha autoria, fotos de Marco Rufino e prefácio de Sonia Regina, editora da Revista de Literatura Brasileira Letras et cetera.

PREÇO: 1 EURO

COMPRAR AQUIhttp://www.tertuliadeebooks.com/book/F03TOO



publicado por oplanetalivro às 16:33

05
Set 12


It crossed my mind 



A Mulher

A possibilidade da palavra conter a morfologia da mulher é a impossibilidade de estimação da linguagem. A nudez da mulher é insaciável dos sons que moram nas cascas de alfabeto.

Na mulher há demasiada substância para as palavras que temos.
E o Homem derrota-se antes de abrir a boca.





                                                                    A Linguagem
 
A linguagem e o objecto
Entre o objecto e a palavra há a impossibilidade a percorrer.
  
O meu cérebro é pilhado, diariamente, pelas minhas mãos que, incompetentes, não levam mais do que sombras das palavras.
publicado por oplanetalivro às 16:51
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